“Portadores de necessidades especiais não pagam o uso do banheiro”. A placa do quiosque de Copacabana só pode ser ironia.
O elevador existe, mas não funciona. Como se faz para multar a prefeitura?
E abaixo mais alguns pontos críticos:
1) uma praia linda, a de Copacabana, princesinha do mar
2) um inverno dos deuses, com sol e brisa
3) um quiosque muito bem planejado e sofisticado (tanto que cobra 10% de gorjeta, mesmo em cima da água de coco. É “pelo conforto”, diz o quiosqueiro. E só quando eu estranho a cobrança, ele me responde: “É opcional”)
4) uma escultura de areia com dizeres em inglês, inspirada pelo papa Francisco e a Jornada Mundial da Juventude
5) um desrespeito aos idosos e a quem é portador de necessidades especiais
6) um elevador caquético, que, segundo os funcionários sentados em frente ao banheiro, “nunca funcionou há mais de dois anos” – mas, segundo João Marcello Barreto, presidente da Orla Rio (empresa responsável pelos quiosques em parceria com a prefeitura carioca), já funcionou sim, só que há muito tempo está enguiçado.
7) uma escada íngreme de quase 30 degraus, com um corrimão baixo que obriga o usuário a curvar a coluna com alta chance de desabar lá de cima.
2) um inverno dos deuses, com sol e brisa
3) um quiosque muito bem planejado e sofisticado (tanto que cobra 10% de gorjeta, mesmo em cima da água de coco. É “pelo conforto”, diz o quiosqueiro. E só quando eu estranho a cobrança, ele me responde: “É opcional”)
4) uma escultura de areia com dizeres em inglês, inspirada pelo papa Francisco e a Jornada Mundial da Juventude
5) um desrespeito aos idosos e a quem é portador de necessidades especiais
6) um elevador caquético, que, segundo os funcionários sentados em frente ao banheiro, “nunca funcionou há mais de dois anos” – mas, segundo João Marcello Barreto, presidente da Orla Rio (empresa responsável pelos quiosques em parceria com a prefeitura carioca), já funcionou sim, só que há muito tempo está enguiçado.
7) uma escada íngreme de quase 30 degraus, com um corrimão baixo que obriga o usuário a curvar a coluna com alta chance de desabar lá de cima.
Levei meu pai, Hélio Araújo, de 91 anos, para beber água de coco num dos quiosques mais sofisticados da praia. Meu pai precisa ser levado de condução, embora more a quatro quadras da praia, tem dificuldade de andar, é ajudado por uma bengala. Ele quis ir ao banheiro, tentei levá-lo mas não conseguimos. Eu vi a placa, desci a escada com um corrimão totalmente inadequado, vi o elevador, sem uso, e ouvi a resposta do funcionário, sentado em frente ao banheiro: “Este elevador aí nunca funcionou desde que foi inaugurado”. Só há dois quiosques de Copacabana com banheiros. Como disse o presidente da Orla Rio João Marcello, "não sou obrigado a fornecer esse serviço nos quiosques porque há banheiros nos postos de salvamento, que estão sendo reformados". Digamos que, se existe elevador, ele deveria funcionar. João Marcello concorda, mas diz que o serviço das empresas de manutenção é péssimo, tanto que já trocou três vezes. Disse Ruth de Aquino.
Falei com o presidente da Orla Rio hoje ao telefone:
“A manutenção desses elevadores é complicada mesmo, por causa da maresia, entre outras coisas. Mas esse elevador funcionou várias vezes e parou, não é verdade que sempre esteve enguiçado desde 2010. Eu já mudei várias vezes de empresa de manutenção, porque nenhuma dá certo. Agora estou com a Ideal Elevadores.”
(Nesse momento, eu tive que sorrir. Imagina se não fosse “Ideal”)
E olhem que coincidência feliz:
“Hoje mesmo eu estava falando com os técnicos”, disse João Marcello. “Vai um lá à tarde. Só no fim do dia, ou então amanhã, eu terei uma posição sobre quando os elevadores dos quiosques voltarão a funcionar. Ideal seria eu ter uma cabine do lado de fora. Não tenho no nível do deque, porque ficaria muito agressivo, atrapalhando a visão da praia”.
(ah, que bom. Assim, do jeito que está, não atrapalha a visão da praia mas atrapalha – e muito – o lazer de quem tem necessidades especiais e não consegue ir ao banheiro após tomar uma água de coco)
Só lembrando: Copacabana é o bairro com maior concentração de idosos do Brasil. São cerca de 44 mil.
Fico pensando: se a prefeitura pode (e deve, tem todo o meu apoio) multar a população por jogar lixo na rua e nos espaços públicos, no intuito de educar e tornar a cidade mais limpa...como é que a gente faz quando quer multar a prefeitura por falta de serviços e por danos? Informações Ruth de Aquino da Revista Época.
“A manutenção desses elevadores é complicada mesmo, por causa da maresia, entre outras coisas. Mas esse elevador funcionou várias vezes e parou, não é verdade que sempre esteve enguiçado desde 2010. Eu já mudei várias vezes de empresa de manutenção, porque nenhuma dá certo. Agora estou com a Ideal Elevadores.”
(Nesse momento, eu tive que sorrir. Imagina se não fosse “Ideal”)
E olhem que coincidência feliz:
“Hoje mesmo eu estava falando com os técnicos”, disse João Marcello. “Vai um lá à tarde. Só no fim do dia, ou então amanhã, eu terei uma posição sobre quando os elevadores dos quiosques voltarão a funcionar. Ideal seria eu ter uma cabine do lado de fora. Não tenho no nível do deque, porque ficaria muito agressivo, atrapalhando a visão da praia”.
(ah, que bom. Assim, do jeito que está, não atrapalha a visão da praia mas atrapalha – e muito – o lazer de quem tem necessidades especiais e não consegue ir ao banheiro após tomar uma água de coco)
Só lembrando: Copacabana é o bairro com maior concentração de idosos do Brasil. São cerca de 44 mil.
Fico pensando: se a prefeitura pode (e deve, tem todo o meu apoio) multar a população por jogar lixo na rua e nos espaços públicos, no intuito de educar e tornar a cidade mais limpa...como é que a gente faz quando quer multar a prefeitura por falta de serviços e por danos? Informações Ruth de Aquino da Revista Época.

Nenhum comentário:
Postar um comentário